Vivo

A Urca passou a ficar mais perto
Dentro da rotina tão sonhada e já desistida.
Surge a força estranha que move e mais machuca,
Novamente!
Que me leva para mais distante
Mais promissor...
E menos amor.
Ah, o tão velho amor
O “belo”; Novamente Platão vem à tona
Nada mais constrói e destrói tanto
Nada em mim é mais forte.
Nada em mim é tão intenso. Até hoje.
Tal poder que me leva as mais duras profundezas
Obviamente ignorante por ter desejado ser eterno...
Mea Culpa.
Dentre os amigos épicos que convivo
O mais íntimo me abandonaria por não ser mais “super-homem”
E sou! Toda a força e beleza nunca deixarão de estar em mim
Minha viva essência
Minha lenta morte
Essa vida.
Este pretende por tamanha dor ser o maior
Não pretende, sequer, alcançar o inconcebível
Fisicamente as tormentas invadem todos os eixos
Destroçando a muralha que, pedra por pedra, ergui.
Provando que minha força é fraca.
E todas as minhas afirmações foram retiradas.
Esse é o meu escafandro...
Aceito!
A riqueza que não mais desejo, por agora, bate e grita
Ouço as vozes dos eternos quase em súplicas
Os carentes e mais necessitados dessa minha força, suplicam
Os sensatos em mutirão coordenam-me
Enquanto me mutilo, em silêncio e só
Pedaço por pedaço arranco de mim, lentamente, os espinhos mais pontudos
Transpassaram o hemitorax esquerdo e outro da testa ao cerebelo
Sangue vivo
Desequilíbrio
Mas a inquietação não é assim tão vã...
Desse meio círculo, na baía de águas turvas
Guanabara, Urca
Bucólica, universitária, turística...
13 ruas respirando silêncio, vida e minha dor
E ela, atual, nada me cativa.
Não engano ninguém!
Nem a mim
Trocaria tudo por cinco cachorros, dois gatos e um porco rosa
"Entre a porta está fechada".

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