10/07/09

Entrei no circo em chamas; sabendo
Dediquei-me a tantas proezas
E o público vaiou
Camuflo-me sem valor
"Todos têm, todos têm,
suas próprias razões..."

Engoli espadas
Beijei a mulher barbada
Andei na corda bamba
Fiz malabarismo com muitos pinos...
O público vaiou

Senti na pele a arrogância
Ingratidão
Egoísmo, o velho egoísmo...
Tantas vezes!
Até aonde eu consigo chegar?
Suportar!

Tomates na arte
Apagam a luz, conseguem
Está tudo aqui dentro
Estou fora de mim, não sinto assim
Aquela caixa miúda,
Contorcionismo
Estouro! Sou muito maior

Motos em jaulas
Banda e trompetista
Fui o homem-bala
Cuspidor de fogo
Tenda dos horrores

Não, não domei leões
O público vaiou

O circo pegava fogo, sempre soube
Não tenho vocação para ser palhaço.

16/04/09

Leviano

Quem disse que aceito tudo?
Tudo não passa de critérios chulos
Você aceitaria se estivesse na minha situação

As coisas funcionam do jeito que elas são
Nada é novidade para ninguém!
Ah! É tão fácil assim...
Eu sou esse; como sempre fui...

Suas teorias, meus valores, seu egoísmo, minha vaidade...
Reticências severas
Maldição
Até a página doze!

Agora sim sou forte
Minha alma viva
Renegada pela terceira vez
Quanta absorção
Fato!

Engulo, porém lúcido
Toda essa insensatez

Ando tão diferente

18/02/09

Amídalas inflamadas
Um, dois goles...
O telefone toca
Três, quatro doses de carinho
Você não é assim tão bem-vindo
O café sobe quente, transbordando seus sinais
Minhas aflições

O frio toma conta da vista cinza e sem graça
Tomara límpido céu azul tomar assim minha alma
Não sou tão encantado
O velho disfarçado de novo

Rego flores artificiais
Não colho nada, dane-se
A minha felicidade é assim
Cimento, vidro, luzes, pessoas...
Gente!
Minha multidão inexistente
Meu abrigo escandinavo.

Teorize-me desconcertando-se
Mutilando seu pensamento ao infinito
Tente achar caminhos ou criar atmosferas
Dane-se!

13/11/08

Límpido filtro negro da ignorância
Adoraria ser quem não sou
Amo-me sendo
Como tu, como ela
Então vejamos todas essas faces
Você defende o que espera ser o que cria desde novo
Como eu, como eles

E a farsa prova cedo ou tarde
Todas as gélidas proezas esperadas e não concluídas
Como sempre!
Como todos

Crie sim seu próprio universo
Engane-se e seja o que acha que é

Tudo, apesar, é muito bonito
Mais quando passa
Podia ser bonito agora
Entendo bem
Como ninguém

Sorte seria o pensar ser retroativo
A vida!
Tudo, apesar, é bem bonito

14/10/08

Eu tive a sorte
Tem muito em mim que quase não cabe
Tem tanto em mim que tantos querem
Repartir
E não quero nada!
Corpo pequeno
Tem muito em mim que não consigo
Tempo que esgota
Tem muito de mim espalhado por aí

Quero minhas partes bonitas
Quero querer o que não tenho
Por assim dizer...
Quero você e não quero a mim; assim

Quero sim ver imagens aonde ninguém mais vê
Quero a mim sem luto
Quero sim
Não tenho pena de mim

29/08/08

Decide!

Cápsulas de incentivo diluídas em verdades
A gota, quase seca, tempera ainda copos e mais copos
Um novo mentor se aproxima
Guiando os fachos para uma fresta promissora
Fundo-me com o lodo sujo das paredes
Envelhece e enruga o mais tênue pormenor
Grande selar vedante criterioso
Que sai doce dos teus lábios como regra a terceiros

Guia-me sob as sombras de tempestuosas glórias
Rasga-te elaborando novos universos inexistentes
Soando imensas espumas inexplicáveis

Lubrificador desses mecanismos
Insulto seria ocultar
E estive nu
Sem frio no mais perigoso verão
Andei descalço em nuvens fofinhas
E a tonteira súbita não teve respaldo
Quanto marrom!

Deliciosos azuis invadiram sem permissão
Outro, assim, esverdeariam
Dourariam
E ardeu
Como cintilantes estrelas negras

Os gritos que vem do sul,
Elaboradas rachaduras ciprestes
Contrastam com o sujo prateado sem cor que avisto chegar...

19/08/08

Belli Bollu Buá

Infiltro a beleza branca
Cheia de esperanças e tudo aquilo que é em vão
Temporalmente mensuro o contemporâneo
De nada vale o contexto
Agulhas absurdas contorcem meu cochilar
Pedras entaladas na goela
Chave inglesa dá mais meia volta

Um guarda-sol
Três veias
E um tudo nada!
Pasta, pêlo; pano...
Cera quente em papel branco
Distorção sincronizada em caixa aquática

Esfarela madeira abaixo
Um milhão de pontos de luz
Parede azul,
Céu branco
Aspira a centelha respirante
Ao riscar sobressaltos incrédulos

Respeitei pedidos cintilantes
Elevando vida e desconfiança
Teu sono não era nada enquanto eu soluçava
Árduo piscar aflito enamorado
O pulso sabe bem a prima que tem