29/01/10

Elas

Conscientemente ela afunda-se
Preço caro paga mais uma vez
Mostra a vida que é mais forte
Mais frágil...

Uivos aos deuses em súplicas
Sopro deixado
Vela de aniversário
Ficaria mais dezenove...
Água agora bate no pó
Intocável e intransferível dor
Elas sabem muito bem

Sonhos que as conquistas não alcançam
Conformismo triste
Loucura todo apreço
Todo em qualquer forma
A vida prova ser mais forte

O entendimento recíproco
Uma muda, toda ouvidos e amor
Outra só, cale-se, ninguém entenderia
Elas sim, elas sim!
Toda a atmosfera; pelo, pata e unhas
Terra, tijolo e saudade.

15/10/09

Negação

Não há lugar seguro
Não sei quando começou
Não há como voltar atrás
Não digo o mesmo que disse
Não sou quem sempre fui
Não sou quem acho que sou
Não fui como gostaria de ser
Não amo a mim mesmo

Não sou ignorante
Não tento evoluir
Não sou estagnado

Não, não, não...

Não peco em vão
Não quero ser outro
Não quero abstinência
Não sou insatisfeito
Não ando em montanha russa
Não pulo de bangee jump
Não mergulho com tubarões

Não sou medroso
Não sou covarde
Não sou cruel
Não sou piedoso
Não sou egoísta
Não gosto do que é feio
Não me engano
Não aceito a morte

10/07/09

Entrei no circo em chamas; sabendo
Dediquei-me a tantas proezas
E o público vaiou
Camuflo-me sem valor
"Todos têm, todos têm,
suas próprias razões..."

Engoli espadas
Beijei a mulher barbada
Andei na corda bamba
Fiz malabarismo com muitos pinos...
O público vaiou

Senti na pele a arrogância
Ingratidão
Egoísmo, o velho egoísmo...
Tantas vezes!
Até aonde eu consigo chegar?
Suportar!

Tomates na arte
Apagam a luz, conseguem
Está tudo aqui dentro
Estou fora de mim, não sinto assim
Aquela caixa miúda,
Contorcionismo
Estouro! Sou muito maior

Motos em jaulas
Banda e trompetista
Fui o homem-bala
Cuspidor de fogo
Tenda dos horrores

Não, não domei leões
O público vaiou

O circo pegava fogo, sempre soube
Não tenho vocação para ser palhaço.

16/04/09

Leviano

Quem disse que aceito tudo?
Tudo não passa de critérios chulos
Você aceitaria se estivesse na minha situação

As coisas funcionam do jeito que elas são
Nada é novidade para ninguém!
Ah! É tão fácil assim...
Eu sou esse; como sempre fui...

Suas teorias, meus valores, seu egoísmo, minha vaidade...
Reticências severas
Maldição
Até a página doze!

Agora sim sou forte
Minha alma viva
Renegada pela terceira vez
Quanta absorção
Fato!

Engulo, porém lúcido
Toda essa insensatez

Ando tão diferente

18/02/09

Amídalas inflamadas
Um, dois goles...
O telefone toca
Três, quatro doses de carinho
Você não é assim tão bem-vindo
O café sobe quente, transbordando seus sinais
Minhas aflições

O frio toma conta da vista cinza e sem graça
Tomara límpido céu azul tomar assim minha alma
Não sou tão encantado
O velho disfarçado de novo

Rego flores artificiais
Não colho nada, dane-se
A minha felicidade é assim
Cimento, vidro, luzes, pessoas...
Gente!
Minha multidão inexistente
Meu abrigo escandinavo.

Teorize-me desconcertando-se
Mutilando seu pensamento ao infinito
Tente achar caminhos ou criar atmosferas
Dane-se!

13/11/08

Límpido filtro negro da ignorância
Adoraria ser quem não sou
Amo-me sendo
Como tu, como ela
Então vejamos todas essas faces
Você defende o que espera ser o que cria desde novo
Como eu, como eles

E a farsa prova cedo ou tarde
Todas as gélidas proezas esperadas e não concluídas
Como sempre!
Como todos

Crie sim seu próprio universo
Engane-se e seja o que acha que é

Tudo, apesar, é muito bonito
Mais quando passa
Podia ser bonito agora
Entendo bem
Como ninguém

Sorte seria o pensar ser retroativo
A vida!
Tudo, apesar, é bem bonito

14/10/08

Eu tive a sorte
Tem muito em mim que quase não cabe
Tem tanto em mim que tantos querem
Repartir
E não quero nada!
Corpo pequeno
Tem muito em mim que não consigo
Tempo que esgota
Tem muito de mim espalhado por aí

Quero minhas partes bonitas
Quero querer o que não tenho
Por assim dizer...
Quero você e não quero a mim; assim

Quero sim ver imagens aonde ninguém mais vê
Quero a mim sem luto
Quero sim
Não tenho pena de mim